sábado, 18 de fevereiro de 2012

Doce

Ela tem um cheiro doce

Que parte de

Suas entranhas.

A atração é tamanha

Que violentamente inalo

Seu aroma de crisântemo,

Girassol e lírio branco,

Em seus olhos e no hálito,

Nas axilas,

No ânus e na Vagina.


Não sei se são feromônios

Ou enxofre daquele pequeno

Demônio,

Sei somente que

Quando experimento,

Amo.

(Jorge Elô)

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Poeminha Romântico

Perfure-me os olhos

com pequeninas agulhas e

Arranque-me a língua

com alicate.


Libere-me dois mil volts

nos testículos e

vomite-me nos ouvidos

sacanagens.


Foda-me mas

deixe-me lhe foder

primeiro.


Entrega-te ao cativeiro

do áspero,

mas verdadeiro,

amor romântico.


(Jorge Elô)

terça-feira, 26 de julho de 2011

Hilário

Seu amor nunca existiu:
É mitologia sem deuses
Inferno sem demônios.

É egoísmo puro
que brilha em seus heterônimos.

Seu amor é bruxaria
que encanta aos desavisados.
É também alquimia
que transforma ouro em ferro
enferrujado.

Seu amor é uma farsa,
desejo indesejado.
Feliz do homem que se
liberta do sonho
de que um dia por ti foi amado.

Se hoje sinto compaixão,
não é por ti, Hécate.
E sim pelo novo homem
que agora é condenado
a viver ludibriado
Pelo seu amor, bruxa;
Tão Noturno,
Tão Pérfido.
Tão Hilário.

(Jorge Elô)

sexta-feira, 11 de março de 2011

Oração da madrugada

Só tenho que agradecer

Pelo corte no nariz

A dor de cabeça e

A fadiga no corpo.



Pela dor de garganta,

Escarros e meu mau hálito de

Cigarro.



Pelas dificuldades do mundo

E a força dos meus dois guardiões:

Azazel e Calibã.



Pela minha mulher, filho,

Mãe, pai e irmãos.



Por acordar, respirar,

Pela chance de estar vivo.

Chorando, sofrendo ou

Sorrindo.



Pela vontade de viver,

Pela consciência do que é a

Vida.

Pelo sangue que me corre na veia

E por tudo que terei que vencer

Em cada amanhecer.



Amém.
(Jorge Elô)


terça-feira, 8 de março de 2011

Fomfa

Sei que ficou temerosa
De voltar ao nosso castelo
de garrafas e pontas de cigarros.
De tornar a sonhar com a estética
das formas estranhas do mundo,
passando madrugadas
exalando fumaça.

Agora junto as garrafas
aos montes e
todas as pontas que restam.
Estou tornando sólida
a base do nosso castelo,
enfeitando-o,
armando-o,
tornando-o nosso lar.

Pois, muito embora eu ame a noite,
e sempre tenha desejado uma
infinidade de mulheres,
prometo a você que estarei só,
sem tocar minha boca em
outra que não seja a sua.

Estarei lhe aguardando.
Ascendendo um cigarro no outro,
bebendo litros de cachaça,
e sonhando com as manhãs
onde poderei acordar e
respirar o perfume do suor
que sai da sua nuca.

(Jorge Elô)

quinta-feira, 3 de março de 2011

Trago a alegria das putas

e as cores do arco-íris,

trago um jardim,

nele um pedaço de mim.

Levo mil coisas e nenhuma,

pedaços, retalhos,

fragmentos do ego

Tenho em mim os olhos de Capitu

de Sinhá Vitória os conflitos de Joana,

a compaixão de Madalena.

Trago no meu Romance a poesia

de Florbela a beleza da moreninha

Trouxe em Machado as cores de Ramos.

Em Macedo vou Clariceando o escuro do meu caminho.


(José Maria)